Desemprego cai a 5,2%, o menor para o 3º tri desde 2012
A taxa de desocupação caiu a 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026, a menor para um terceiro trimestre desde 2012. População ocupada, empregadores e massa de rendimento bateram recorde, mas desalento e subocupação subiram.
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Foto: Carlos Ebert from São Paulo, BrazilGRU/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
30/10/2026 · Dados: PNAD Contínua/IBGE, trimestre julho–setembro de 2026
O desemprego a 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026 é a menor taxa de desocupação já registrada para um terceiro trimestre desde 2012, início da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Os dados foram divulgados pelo IBGE às 9h desta sexta-feira (30).
A taxa caiu 0,2 ponto percentual frente ao trimestre terminado em junho (5,4%) e 0,4 ponto em relação ao mesmo trimestre de 2025 (5,6%).
Os principais números da PNAD
| Indicador | Jul–Set 2026 | Abr–Jun 2026 | Jul–Set 2025 |
|---|---|---|---|
| Taxa de desocupação | 5,2% | 5,4% | 5,6% |
| Taxa composta de subutilização | 13,0% | 12,9% | 13,9% |
| Rendimento real habitual | R$ 3.790 | R$ 3.753 | R$ 3.660 |
| População desocupada | 5,6 milhões | 5,9 milhões | 6,0 milhões |
| Nível da ocupação | 59,0% | 58,8% | 58,7% |
| Taxa de informalidade | 37,5% | 37,4% | 37,8% |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua (release de 30/10/2026).
Menos desocupados, mais gente trabalhando
O país tinha 5,6 milhões de desocupados, queda de 4,0% (menos 234 mil pessoas) no trimestre e de 6,9% (menos 417 mil) em um ano.
A população ocupada chegou a 103,6 milhões, a maior da série histórica, com alta de 0,6% no trimestre (mais 581 mil pessoas) e de 1,2% no ano (mais 1,2 milhão). O nível da ocupação — percentual das pessoas em idade de trabalhar que estão ocupadas — também foi recorde, em 59,0%.
Construção puxa a alta no trimestre
Entre os grupamentos de atividade, só a Construção teve aumento de ocupação no trimestre: alta de 2,8%, ou mais 210 mil pessoas. Na comparação anual, cresceram Transporte, armazenagem e correio (6,9%, mais 411 mil) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,1%, mais 400 mil).
Empregadores e setor público em recorde
O número de empregadores atingiu o recorde de 4,5 milhões, alta de 4,3% no trimestre (mais 184 mil) e de 6,4% no ano (mais 272 mil).
“Empregadores são multiplicadores de trabalho, visto que o fruto do seu empreendimento gera novas oportunidades”, afirmou o analista da pesquisa, William Kratochwill, segundo a Agência de Notícias do IBGE.
O setor público também bateu recorde, com 13,2 milhões de empregados (estável no trimestre e alta de 2,5% no ano, mais 317 mil). Segundo Kratochwill, o aumento veio de professores do ensino pré-escolar, fundamental e médio (cerca de 45 mil pessoas) e de contratações da administração pública municipal (cerca de 30 mil); a atividade municipal deu a maior contribuição do setor público.
Carteira assinada e informalidade ficam estáveis
Apesar do recorde de ocupação, o emprego com carteira no setor privado (39,4 milhões, sem domésticos) ficou estável no trimestre e no ano. O mesmo ocorreu com empregados sem carteira (13,7 milhões), trabalhadores por conta própria (26,1 milhões) e domésticos (5,4 milhões).
A taxa de informalidade foi de 37,5% dos ocupados, ou 38,8 milhões de trabalhadores, ante 37,4% no trimestre anterior e 37,8% um ano antes.
O analista do IBGE associa a estabilidade ao calendário eleitoral: “Essas estabilidades podem indicar que o mercado de trabalho aguardava as possíveis mudanças do pleito eleitoral. Logo, seu rumo será mais bem percebido nas próximas divulgações”, disse Kratochwill.
Sinais de alerta: desalento e subocupação
Nem todos os indicadores melhoraram. A população desalentada — quem desistiu de procurar trabalho — subiu 7,5% no trimestre, para 2,5 milhões (mais 171 mil pessoas), embora tenha caído 6,8% em um ano (menos 178 mil). Segundo o IBGE, a dificuldade de encontrar um trabalho considerado adequado apareceu principalmente entre pessoas com 40 anos ou mais.
A subocupação por insuficiência de horas cresceu 5,2% no trimestre, para 4,3 milhões (mais 214 mil). Ainda assim, a taxa composta de subutilização ficou estável em 13,0%.
Renda: massa de rendimento é a maior da série
O rendimento real habitual ficou em R$ 3.790, estável no trimestre e 3,6% acima de um ano antes (mais R$ 131). A massa de rendimento real habitual somou R$ 387,5 bilhões, a maior da série, com alta de 1,5% no trimestre (mais R$ 5,6 bilhões) e de 4,7% no ano (mais R$ 17,5 bilhões).
O que muda para o seu bolso e para os investimentos
No seu bolso. A população ocupada (103,6 milhões) e a massa de rendimento real habitual (R$ 387,5 bilhões, alta de 4,7% sobre o mesmo trimestre de 2025) foram as maiores da série. Há ressalvas: o rendimento médio ficou estável em relação ao trimestre anterior, a informalidade segue em 37,5% dos ocupados e o número de desalentados (quem desistiu de procurar trabalho) subiu 7,5% no trimestre.
Nos juros. O mercado de trabalho é um dos indicadores que o Banco Central acompanha nas decisões sobre a Selic. Na ata da reunião de setembro, o Copom descreveu o “mercado de trabalho aquecido” e afirmou que segue “acompanhando detidamente” o tema, inclusive a transmissão da ocupação para os rendimentos e, depois, para os preços. A PNAD é um dos dados disponíveis para a próxima reunião, mas a decisão depende do conjunto de indicadores, das expectativas e dos riscos, e não de uma divulgação isolada.
Nos setores. Entre os grupamentos de atividade, só a Construção teve aumento de ocupação no trimestre (2,8%, ou mais 210 mil pessoas). Na comparação anual, cresceram Transporte, armazenagem e correio e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.
Em resumo: os números mostram mais pessoas ocupadas e renda total recorde, com pontos de atenção na informalidade, no desalento e na subocupação. O efeito sobre juros e investimentos depende das próximas leituras de inflação e das decisões do Copom.
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Próxima divulgação
O IBGE divulga a PNAD Contínua do trimestre encerrado em outubro em 27 de novembro de 2026.
Fontes
- IBGE – “Taxa de desocupação é de 5,2% e taxa de subutilização é de 13,0% no trimestre encerrado em setembro” – 30/10/2026: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/48409-30-10-release.html
- Agência de Notícias IBGE – “Desocupação fica em 5,2%, a menor para um terceiro trimestre desde 2012” – 30/10/2026, 9h: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/48411-30-10-noticia-2.html
- IBGE (SIDRA) – “Tabela 6381: Taxa de desocupação, na semana de referência, das pessoas de 14 anos ou mais de idade” – 30/10/2026 (série atualizada em 30/10/2026; acesso em 31/10/2026): https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6381
- Agência Brasil – “Desemprego em 5,2% no 3° trimestre é o menor para o período desde 2012” – 30/10/2026, 9h50: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/desemprego-em-52-no-3deg-trimestre-e-o-menor-para-o-periodo-desde-2012
- Banco Central do Brasil – “Ata da 281ª Reunião do Copom – 15-16 setembro, 2026” – 22/09/2026: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/atascopom/16092026
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