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Política Econômica

CMN eleva em R$ 2 bi limite de crédito de estados e cidades

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou em reunião extraordinária nesta quinta-feira (29/10/2026) a Resolução nº 5.344. Ela eleva em R$ 2 bilhões o limite global de 2026 para operações de crédito, que passa de R$ 28,625 bilhões para R$ 30,625 bilhões. Segundo a nota do Ministério da Fazenda, o objetivo é ampliar a capacidade de […]

Jhonny Cazoni5 min de leitura

Atualizado em

Prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília — imagem sobre CMN eleva em R$ 2 bi limite de crédito de estados e cidades

Foto: Senado Federal/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou em reunião extraordinária nesta quinta-feira (29/10/2026) a Resolução nº 5.344. Ela eleva em R$ 2 bilhões o limite global de 2026 para operações de crédito, que passa de R$ 28,625 bilhões para R$ 30,625 bilhões. Segundo a nota do Ministério da Fazenda, o objetivo é ampliar a capacidade de estados, Distrito Federal e municípios de contratar operações com e sem garantia da União.

O que mudou nos sublimites

Sublimite (2026)AntesDepois
Estados, DF e municípios, com garantia da UniãoR$ 8,5 biR$ 10 bi
Estados, DF e municípios, sem garantia da UniãoR$ 6,5 biR$ 7 bi
Novo PAC, com e sem garantia (R$ 2,8 bi e R$ 2,2 bi)sem alteraçãosem alteração
CorreiosR$ 8 biR$ 8 bi
Órgãos e entidades da UniãoR$ 625 miR$ 625 mi
Limite globalR$ 28,625 biR$ 30,625 bi

Fonte: nota do CMN e anexo da Resolução CMN 5.344 (BCB). O limite global é formado por todos os sublimites, não apenas pelas duas linhas que mudaram.

De onde vem o espaço

Pelo texto oficial, a medida é um remanejamento de limites dentro do espaço fiscal já programado para o ano, e não espaço novo. Um levantamento do Tesouro Nacional junto aos entes dos programas de ajuste fiscal (PAF e PAT) identificou cerca de R$ 7,87 bilhões sem perspectiva de uso até o fim de 2026. Desse total, R$ 5 bilhões já tinham sido remanejados pelas Resoluções CMN 5.339 (R$ 3 bilhões, de 27/8/2026) e 5.342 (R$ 2 bilhões, de 14/9/2026). Sobraram cerca de R$ 2,87 bilhões, dos quais R$ 2 bilhões foram realocados agora. Segundo a nota, os sublimites “estavam praticamente esgotados”. É a terceira ampliação recente desses limites. A resolução entra em vigor na data de publicação.

Para acompanhar o pano de fundo de juros e expectativas, veja o Boletim Focus de 13 de outubro, quanto rendem os investimentos com a Selic a 13,75% e Ibovespa, eleição 2026 e dólar.

O que muda para o seu bolso e para os investimentos

No seu bolso: nada muda diretamente. Em 29/10, o CMN aumentou em R$ 2 bilhões o limite que estados, Distrito Federal e municípios podem tomar emprestado em 2026. O teto foi de R$ 28,625 bilhões para R$ 30,625 bilhões. Com garantia da União, o sublimite subiu de R$ 8,5 bilhões para R$ 10 bilhões. Sem garantia, foi de R$ 6,5 bilhões para R$ 7 bilhões. É a terceira ampliação recente.

Nas contas públicas: segundo o governo, não se trata de espaço novo, e sim de um remanejamento de margem prevista para o ano que não seria usada. Na nossa análise, mesmo sendo remanejamento, liberar mais crédito para governos locais em ano eleitoral é um sinal que o mercado tende a observar com atenção, por causa da disciplina fiscal.

Nos setores da bolsa (interpretação, não recomendação): – Bancos que emprestam a governos: ganham um pouco mais de espaço para conceder crédito, principalmente nas operações com garantia da União, que têm risco menor. O efeito é pequeno. – Construção e infraestrutura: podem se beneficiar se o crédito virar obras. – Setores sensíveis a juros, como imobiliário e fundos imobiliários: só sentiriam efeito se a percepção de risco fiscal pressionar os juros longos, o que é indireto.

Em resumo: a medida é pequena no valor e, pelo texto oficial, um remanejamento. Na nossa análise, o ponto de atenção é o sinal. Vale acompanhar se virão novas ampliações. Horizonte: curto a médio. Confiança: média-baixa.

Fontes

Aviso: conteúdo de caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui recomendação de investimento, oferta ou promessa de rentabilidade. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Jhonny Cazoni é consultor de valores mobiliários registrado na CVM (003880-6).

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