Gasolina com imposto federal zerado até novembro: preço vai cair?
Decreto 13.134 zera tributos federais da gasolina de 10/10 a 9/11/2026. Entenda o impacto no preço da bomba, no etanol e no diesel.
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Foto: Eduardo P/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
O governo federal zerou temporariamente os tributos federais sobre a gasolina e prorrogou a desoneração do etanol. A mudança está no Decreto nº 13.134, de 9 de outubro de 2026, publicado em edição extra do Diário Oficial da União. A nova etapa vale de 10 de outubro a 9 de novembro de 2026. Mas uma pergunta interessa mais ao motorista: isso significa gasolina imediatamente mais barata no posto?
Não necessariamente. A desoneração reduz um custo tributário em uma etapa da cadeia, mas o preço final depende também do petróleo, da mistura de etanol, do ICMS, do frete e das margens de distribuição e revenda. Entender essa diferença evita transformar um anúncio tributário em promessa de desconto na bomba.
O que mudou no imposto da gasolina em outubro de 2026?
Até 9 de outubro, vigorava uma redução de PIS/Pasep e Cofins equivalente a R$ 0,63 por litro de gasolina A, estabelecida em setembro. Com o novo decreto, as alíquotas federais de PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis incidentes sobre a gasolina abrangida pela norma passam a zero. Segundo o Ministério da Fazenda, a desoneração total equivale a R$ 0,89 por litro de gasolina A: R$ 0,79 de PIS/Pasep e Cofins e R$ 0,10 de Cide.
Há uma distinção importante: R$ 0,89 é a desoneração total anunciada, não um novo desconto adicional de R$ 0,89 em relação ao regime que terminou em 9 de outubro. A diferença nominal entre os dois patamares é de R$ 0,26 por litro de gasolina A. Mesmo esse valor não pode ser transferido mecanicamente para o preço pago pelo consumidor.
O decreto especifica o período de 10 de outubro a 9 de novembro. Portanto, a medida não é permanente e poderá depender de nova decisão para continuar após essa data.
O preço da gasolina vai cair R$ 0,89 por litro?
Não existe garantia de queda de R$ 0,89 na bomba. A referência divulgada pelo governo é a gasolina A, antes da mistura que forma a gasolina C vendida nos postos. A gasolina comum comercializada ao consumidor contém etanol anidro, o que altera a comparação por litro. Além disso, o novo decreto não zera o ICMS estadual nem elimina os custos de produção, transporte, armazenamento e comercialização.
O mercado brasileiro opera com liberdade de preços: produtores, distribuidores e postos definem seus valores. Uma redução tributária pode amortecer uma alta que ocorreria por outros fatores, sem necessariamente produzir queda visível na etiqueta. Também pode haver defasagem entre a entrada em vigor da regra e o escoamento de estoques comprados sob condições anteriores.
Por isso, o teste adequado é acompanhar a evolução dos preços efetivamente cobrados, e não multiplicar R$ 0,89 pela quantidade de litros abastecidos. A ANP publica levantamentos semanais de preços por localidade, úteis para comparar períodos, embora uma simples variação semanal não prove isoladamente o efeito do decreto.
E o etanol? O imposto também ficou zerado?
Para o etanol hidratado, usado diretamente como combustível, o novo decreto mantém em zero PIS/Pasep e Cofins entre 10 de outubro e 9 de novembro. O Ministério da Fazenda estima que a desoneração corresponda a R$ 0,19 por litro. Trata-se de prorrogação de uma regra que já vigorava, não de uma redução adicional automática de R$ 0,19 no preço do posto.
Há ainda uma subvenção extraordinária para produtores e cooperativas de etanol hidratado. O texto normativo publicado fixa esse valor em R$ 0,4280 por litro no período indicado, com possibilidade de revisão conforme as condições previstas na própria norma. Essa subvenção é destinada aos agentes habilitados da cadeia produtiva; não é dinheiro depositado na conta do motorista nem um abatimento garantido no caixa do posto.
Para escolher entre gasolina e etanol, continua valendo comparar preços locais e consumo real do veículo. Uma regra tributária nacional não substitui o cálculo de custo por quilômetro rodado.
O que foi anunciado para o diesel?
O pacote também prevê uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro de diesel A rodoviário importado, somada ao apoio de R$ 2,12 por litro informado como vigente pelo governo. Porém, em 10 de outubro, o adicional ainda dependia de portaria anunciada para 13 de outubro, segundo a Fazenda. Portanto, é incorreto tratá-lo como pagamento adicional já operacional apenas com base no anúncio.
A medida procura manter a viabilidade das importações em um contexto de preços internacionais elevados. Seus efeitos potenciais alcançam frete, abastecimento e custos logísticos, mas não autorizam concluir que haverá redução imediata e uniforme do diesel ao consumidor.
Quanto custam as medidas e qual a relação com a inflação?
O Ministério da Fazenda estima impacto de R$ 3,6 bilhões em 2026 para as medidas relativas à gasolina e ao etanol, com compensação prevista por receitas extraordinárias ligadas ao petróleo. Para o adicional de diesel anunciado, a estimativa é de mais R$ 1,6 bilhão por 30 dias. São projeções oficiais de custo fiscal, não valores já integralmente desembolsados.
Combustíveis influenciam diretamente o orçamento das famílias e indiretamente os preços de produtos transportados. A iniciativa tenta conter parte desse repasse em meio à volatilidade do petróleo. Mas seu resultado dependerá de preços internacionais, câmbio, oferta e comportamento da cadeia de distribuição. O IPCA de setembro, divulgado em 9 de outubro, já mostrou como choques específicos podem alterar a inflação mensal, sem que isso determine sozinho a trajetória futura dos juros.
Para entender como inflação e taxa básica afetam aplicações financeiras, veja também a análise sobre a Selic de 13,75% e o rendimento dos investimentos. O assunto é diferente do Imposto Seletivo previsto na reforma tributária, que envolve outra legislação e outro calendário.
Como acompanhar o efeito real da medida
O caminho mais útil é registrar o preço da gasolina, do etanol ou do diesel no posto utilizado e compará-lo nas semanas seguintes, observando também a média da região. Vale distinguir preço estável de preço que teria subido sem a desoneração: esse segundo cenário é hipotético e exige análise, não pode ser observado diretamente na bomba.
O decreto entrou em vigor na publicação e delimitou os efeitos tributários de 10 de outubro a 9 de novembro de 2026. Já a subvenção adicional ao diesel deverá ser reavaliada quando sair o ato específico. Até lá, a informação mais segura é esta: os tributos federais indicados foram zerados ou mantidos zerados, mas o preço final ao consumidor continua variável.
Fontes e método: Decreto nº 13.134/2026, texto legal; comunicado do Ministério da Fazenda de 9/10/2026; metodologia e dados de preços da ANP. Valores legais e anúncios futuros foram diferenciados; nenhuma queda na bomba foi presumida.
Fontes
- Presidência da República (Planalto) – “Decreto nº 13.134, de 9 de outubro de 2026” – 09/10/2026: https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/decreto/d13134.htm
- Ministério da Fazenda – “Governo Federal prorroga desoneração da gasolina e do etanol” – 09/10/2026: https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/outubro/governo-federal-prorroga-desoneracao-da-gasolina-e-do-etanol/
- ANP – “Levantamento de Preços de Combustíveis (últimas semanas pesquisadas)” – 19/08/2022 (página; dados semanais, acesso em 31/10/2026): https://www.gov.br/anp/pt-br/assuntos/precos-e-defesa-da-concorrencia/precos/levantamento-de-precos-de-combustiveis-ultimas-semanas-pesquisadas
- ANP – “Preços” – 09/06/2021 (página; acesso em 31/10/2026): https://www.gov.br/anp/pt-br/assuntos/precos-e-defesa-da-concorrencia/precos/precos





