• IBOV 167.563 alta de 1,23%
  • USD/BRL R$ 5,48
  • SELIC 13,75%
  • IFIX 3.558 alta de 0,94%
  • BTC/BRL R$ 438.384 alta de 2,38%
  • DASA3 alta de 17,27%
  • LJQQ3 alta de 15,31%
  • RCSL4 queda de 15,85%
  • BRAV3 queda de 9,19%
  • ETF DEFI11 alta de 6,05%
  • BDR DUOL34 alta de 26,04%
  • FII CPSH11 alta de 4,84%
Mercado

E-book

Renda não é patrimônio

Um método em sete capítulos para fazer parte da sua renda virar patrimônio.

Quero o e-book

Sete capítulos, exercícios e um plano de 90 dias.

Livro Renda Não É Patrimônio, de Jhonny Cazoni, em pé sobre fundo verde-petróleo
Voltar ao blog
Finanças Pessoais

A Psicologia Financeira: saber mais sobre investimentos não significa investir melhor

Uma releitura de A Psicologia Financeira, de Morgan Housel: comportamento, risco, tempo, margem de segurança e o que essas ideias significam para quem investe.

Jhonny Cazoni8 min de leitura

Atualizado em

Homem com café e celular — imagem sobre A Psicologia Financeira

Foto: Rohit Tandon rohittandon/Wikimedia Commons (CC0)

Você pode entender valuation, juros compostos, inflação, diversificação e ainda assim tomar decisões financeiras ruins.

Talvez essa seja uma das ideias mais incômodas — e mais úteis — de A Psicologia Financeira, de Morgan Housel.

O livro não é um manual para escolher ações, montar uma carteira ou encontrar o melhor investimento. A proposta é outra: mostrar que dinheiro é um campo em que comportamento, expectativas, experiências pessoais e capacidade de conviver com incerteza podem pesar tanto quanto conhecimento técnico.

É justamente por isso que ele continua interessante mesmo para quem já investe. Não porque ensine uma fórmula secreta, mas porque mostra como uma estratégia tecnicamente boa pode fracassar quando a pessoa que precisa executá-la não consegue permanecer nela.

O dinheiro não é apenas matemática

Na teoria, muitas decisões financeiras parecem simples. Se uma alternativa oferece melhor relação entre risco e retorno, escolhemos essa alternativa. Se os juros compostos favorecem horizontes longos, mantemos o investimento durante décadas. Se comprar caro reduz o retorno esperado, esperamos preços melhores.

Só que pessoas não funcionam como planilhas.

Cada investidor chega ao mercado carregando experiências diferentes com dinheiro, crises, emprego, família, perdas e períodos econômicos completamente distintos. Duas pessoas podem olhar para o mesmo investimento e chegar a conclusões opostas sem que necessariamente uma delas esteja sendo irracional.

Esse ponto importa porque estratégias de investimento não existem no vácuo. Aquilo que funciona matematicamente pode ser impossível de sustentar psicologicamente para determinado investidor.

Ficar rico e permanecer rico são problemas diferentes

Uma das ideias mais fortes do livro é a distinção entre construir patrimônio e conseguir mantê-lo.

Para crescer, algum risco geralmente precisa ser assumido. Para sobreviver, porém, existe outra habilidade: não se colocar em uma situação em que um único erro possa destruir todo o processo.

Essa diferença muda bastante a forma de pensar investimentos.

Uma estratégia não precisa apenas produzir retorno. Ela precisa permitir que você continue participando.

É exatamente por isso que eu desconfio de análises que começam pelo retorno e só depois procuram entender o risco. Ganhar muito durante algum tempo é uma coisa. Conseguir atravessar crises, erros de avaliação, recessões e períodos em que o mercado simplesmente não faz o que você esperava é outra.

O poder dos juros compostos depende de tempo

Normalmente usamos os juros compostos para mostrar quanto R$ 10 mil podem virar depois de 20 ou 30 anos. Mas existe uma variável escondida nessa conta: tempo.

E tempo exige sobrevivência.

Não adianta encontrar um investimento com retorno extraordinário se a estratégia exige um nível de risco que eventualmente expulsa você do mercado.

Uma rentabilidade um pouco menor sustentada por muito tempo pode produzir um patrimônio maior do que sucessivos períodos de ganhos espetaculares interrompidos por grandes perdas.

Esse raciocínio conversa diretamente com o que já discutimos em risco e retorno nos investimentos: o objetivo não deveria ser simplesmente maximizar o retorno de cada operação, mas construir um processo que continue funcionando depois de uma decisão errada.

Margem de segurança não serve apenas para valuation

Quando falamos em margem de segurança, normalmente pensamos em comprar um ativo abaixo de uma estimativa conservadora de valor. Mas o conceito pode ser muito mais amplo.

Ter liquidez é margem de segurança. Não comprometer todo o patrimônio é margem de segurança. Não depender de uma única empresa é margem de segurança. Manter reserva para lidar com imprevistos também é margem de segurança.

Até trabalhar com hipóteses menos otimistas pode ser uma forma de margem de segurança.

O problema é que essas decisões quase sempre parecem ineficientes enquanto tudo está dando certo. Dinheiro parado parece desperdício. Uma carteira menos agressiva parece conservadora demais. Não usar toda a capacidade de risco parece deixar retorno na mesa.

Até chegar o momento em que alguma coisa dá errado.

A margem de segurança existe justamente para cenários que você não conseguiu prever.

Existe diferença entre parecer rico e construir riqueza

Outro ponto interessante do livro é a diferença entre aquilo que conseguimos enxergar e o patrimônio que permanece invisível.

É fácil identificar consumo. Carro, casa, viagens, relógios e roupas aparecem. O patrimônio que não foi gasto não aparece.

Isso pode distorcer bastante nossa percepção de riqueza.

Quando alguém utiliza dinheiro para comprar alguma coisa, sabemos que aquela pessoa teve dinheiro suficiente para realizar aquela compra. Não sabemos quanto sobrou.

Essa distinção ajuda a entender por que renda elevada e patrimônio elevado não são necessariamente a mesma coisa. Construção patrimonial exige uma parcela de renda que não se transforma imediatamente em padrão de vida.

Patrimônio também compra autonomia

Há uma parte da discussão de Housel que vai além de rentabilidade.

Para que serve acumular dinheiro?

Uma resposta possível é comprar coisas melhores. Outra, que considero mais interessante, é comprar autonomia.

Patrimônio oferece capacidade de dizer não. Permite atravessar períodos difíceis sem aceitar qualquer decisão por necessidade imediata. Pode permitir escolher trabalho, diminuir ritmo, estudar, empreender ou simplesmente ter tempo para tomar uma decisão melhor.

Esse talvez seja um dos pontos em que finanças pessoais e investimentos realmente se encontram. O objetivo não precisa ser simplesmente atingir o maior número possível em uma planilha. A questão é o que aquele patrimônio permite fazer.

Onde eu colocaria uma ressalva no livro

A força de A Psicologia Financeira também é sua limitação.

O livro trabalha muito bem comportamento, risco, expectativas e longo prazo. Mas ele não resolve problemas técnicos de investimento.

Depois de compreender que comportamento importa, ainda precisamos responder perguntas concretas: quanto vale uma empresa? Quanto risco estou assumindo? A taxa daquele título compensa? Qual retorno esperado justifica determinado preço? Quanto concentrar? Quando vender?

Em outras palavras: comportamento não substitui análise. Assim como análise também não substitui comportamento.

Um investidor disciplinado comprando sistematicamente ativos ruins continua tendo um problema. Da mesma forma, alguém capaz de calcular com precisão o valor de uma empresa pode destruir o resultado se não conseguir executar a própria estratégia.

É a combinação das duas coisas que me interessa.

O que eu levaria de A Psicologia Financeira para os investimentos

  1. Não existe retorno sem contexto. Uma estratégia só é boa se você consegue sobreviver aos períodos em que ela não funciona.
  2. Evitar a ruína é mais importante do que acertar sempre. Você não precisa vencer todas. Precisa continuar no jogo.
  3. Deixe espaço para estar errado. Projeções são necessárias, mas o futuro não tem obrigação de respeitá-las.
  4. Tempo pode ser mais poderoso que genialidade. Processos razoáveis mantidos durante muitos anos podem superar decisões brilhantes e inconsistentes.
  5. Patrimônio também é liberdade. O retorno financeiro importa, mas a autonomia proporcionada pelo capital também faz parte do resultado.

A Psicologia Financeira vale a pena?

Para quem procura uma lista de ações, técnicas de valuation ou uma fórmula para aumentar rentabilidade, provavelmente não é esse o livro.

Para quem quer entender por que pessoas inteligentes continuam tomando decisões financeiras ruins — e por que permanecer disciplinado pode ser tão importante quanto saber analisar — a leitura faz bastante sentido.

Minha principal conclusão não é que conhecimento técnico importa menos.

É outra:

conhecimento financeiro e capacidade de executar boas decisões são habilidades diferentes.

Você precisa das duas.

Fontes

Mais sobre Finanças Pessoais

Capa do e-book Renda Não É Patrimônio

E-book · Jhonny Cazoni

Renda Não É Patrimônio

Um método em sete capítulos para fazer parte da sua renda virar patrimônio.

Mercados em perspectiva

  • IBOVIbovespa167.563 ptsalta de 1,23%Brapi · 04/11, 19:14
  • USD/BRLDólar · PTAX vendaR$ 5,48Variação indisponívelBanco Central · 04/11, 13:05
  • SELICMeta Selic13,75% a.a.Variação indisponívelBanco Central · 05/11, 00:00
  • IFIXÍndice de fundos imobiliários3.558 ptsalta de 0,94%Brapi · 04/11, 19:14
  • BTC/BRLBitcoinR$ 438.384alta de 2,38%CoinGecko · 05/11, 04:58

Cada indicador mostra fonte e horário do último dado válido; passe o cursor para ver o detalhe.

Ver o mercado

Preferências de privacidade

As categorias opcionais só são ativadas com sua escolha. Recusar não impede a leitura nem o acesso ao checkout.

Preferências de privacidade