Binance diz ter reposto 90% dos US$ 6,3 bilhões roubados e prevê retomar saques no domingo
A Binance diz ter recomposto 90% dos cerca de US$ 6,3 bilhões roubados de suas carteiras em 29/10 e prevê reabrir os saques no domingo (1º/11), data ainda sujeita a confirmação final.
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Foto: Shixart1985/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, informou neste sábado (31) que já recompôs cerca de 90% dos ativos levados no hack da Binance, o ataque às carteiras da empresa ocorrido na quinta-feira (29) e estimado pela própria corretora em cerca de US$ 6,3 bilhões. A CNBC classifica o caso como o maior roubo de criptomoedas já registrado. A empresa também prevê reabrir os saques no domingo, 1º de novembro, mas isso ainda é uma previsão: a data depende da conclusão das checagens de segurança e de confirmação final da Binance.
O que a Binance anunciou neste sábado
Na atualização publicada neste sábado, a corretora diz que os saldos dos clientes em bitcoin (BTC), ether (ETH), USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC estão agora 100% lastreados. Na atualização anterior, de 30/10, o percentual reposto era de cerca de 80%.
Os 10% restantes correspondem a tokens fora dessa lista de dez ativos, que a empresa descreve como menos líquidos e, por isso, mais demorados de comprar na quantidade necessária. A Binance diz que segue comprando esses ativos no mercado e em operações de balcão (OTC) até chegar a 100% de cobertura em todos os tokens.
“A Binance vai absorver o impacto financeiro desses fundos roubados, não os nossos usuários”, afirmou a empresa no comunicado.
Reposição não é recuperação
Um ponto importante: repor 90% não significa que 90% do dinheiro foi recuperado dos criminosos. A corretora está usando recursos próprios para recompor o lastro das contas. Segundo o comunicado, a reposição usa parte do SAFU (Secure Asset Fund for Users, fundo de emergência de proteção a usuários), uma parcela do fundo de seguro de contratos futuros e o caixa corporativo da empresa.
Na atualização de 30/10, a Binance disse ter separado mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios, dos quais US$ 5 bilhões nos mesmos tokens que foram roubados. Isso é separado dos cerca de US$ 3 bilhões em ativos roubados que, segundo a empresa, foram congelados nas blockchains com ajuda de parceiros.
Prova de reservas
A Binance também informou ter tirado um novo retrato (snapshot) da sua prova de reservas em 31/10, às 0h UTC. A prova completa, que segundo a empresa leva de 40 a 50 horas para ser gerada, tem previsão de ficar pronta até terça-feira, 3/11 (UTC); na atualização de 30/10, a corretora falava em resultado na segunda-feira, 2/11. (Atualizado em 02/11): a prova completa desse retrato de 31/10 ficou pronta e foi divulgada pela Binance na segunda-feira (2); veja a seção Atualizações, no fim do texto.
Como foi o ataque
Segundo a Binance, as carteiras “quentes” (conectadas à internet) da corretora foram comprometidas por volta das 20h05 UTC de 29/10 (17h05 em Brasília). No primeiro comunicado, a empresa disse que a investigação inicial apontava para o notebook comprometido de um engenheiro de DevOps, o que teria permitido acesso a um contêiner de serviço e o envio de saques não autorizados. A empresa disse não ter encontrado indício de vazamento de chaves privadas.
Depois, a própria Binance afirmou que a investigação encontrou “pontos adicionais de invasão”. Segundo a BBC, o co-CEO Richard Teng disse que os invasores abusaram do protocolo EIP-7702 para obter aprovação de execução sobre uma carteira quente, que mais de uma pessoa participou e que foi usado um mecanismo de “autodestruição” para apagar rastros. A maior parte dos recursos saiu das carteiras em cerca de 20 minutos, de acordo com a TRM Labs, empresa de inteligência em blockchain ouvida pela emissora.
A Binance suspendeu os saques como precaução, revogou a autorização do endereço afetado e acionou autoridades e empresas de análise de blockchain. Os depósitos continuaram funcionando normalmente, segundo a própria corretora.
Quem está por trás
Atualização 31/10: o FBI atribuiu oficialmente o ataque à Coreia do Norte. Em alerta cibernético divulgado no sábado (31), a agência disse que o país foi “responsável pelo roubo de mais de US$ 6 bilhões em ativos virtuais da corretora de criptomoedas Binance, em ou por volta de 29 de outubro de 2026”, e identificou a operação como “TraderTraitor”, nome já associado a roubos de criptomoedas atribuídos a hackers norte-coreanos. Segundo o FBI, que atua com o Serviço Secreto e a divisão de investigação criminal da Receita Federal dos EUA (IRS-CI), os criminosos vêm convertendo os ativos roubados principalmente em ether e devem tentar lavar os recursos por plataformas de finanças descentralizadas e serviços de troca de criptomoedas. As agências pediram que corretoras e outros prestadores de serviços de ativos virtuais bloqueiem transações ligadas aos endereços usados na lavagem. A atribuição vai na mesma linha do que já apontavam a TRM Labs e, segundo a BBC, a Chainalysis.
Próximos passos
A Binance diz que o próximo marco é a retomada dos saques, prevista para domingo (1º/11). A empresa afirma estar “no caminho” para cumprir esse prazo e promete nova atualização assim que os detalhes forem confirmados. Até a publicação deste texto, os saques seguiam suspensos. A corretora também promete um relatório técnico detalhado do incidente quando a investigação terminar. (Atualizado em 02/11): os saques foram reabertos em fases a partir de domingo (1º/11). Segundo a Binance, a próxima fase, para outras redes e ativos, está prevista para terça-feira (3), de forma gradual; uma nova fotografia das reservas, com mais tokens, está prevista para 04/11, com prova completa estimada em 40 a 50 horas. O relatório técnico do incidente segue prometido para o fim da investigação.
O que muda para o seu bolso ou para os investimentos
Na sua conta em corretora de cripto. O caso mostra um risco que vai além da oscilação de preço: o risco de contraparte, ou seja, depender da segurança e do caixa da empresa que guarda os seus ativos. Aqui, segundo a própria Binance, quem absorve a perda é a corretora, com fundo de proteção e recursos próprios. Mas isso foi uma decisão da empresa, não uma garantia legal. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) cobre, até R$ 250 mil por CPF e por instituição ou conglomerado, depósitos e alguns títulos (como conta, poupança, CDB, LCI e LCA) emitidos por instituições associadas a ele. Criptoativos guardados em corretora não estão entre os créditos cobertos.
Na prática, o que observar. Durante a suspensão, os depósitos seguiram funcionando, mas os saques não. Quem precisa do dinheiro numa data certa deve contar com a possibilidade de ficar sem acesso por alguns dias num evento desse tipo. Vale acompanhar os canais oficiais da corretora, desconfiar de mensagens que peçam senha, código ou “validação de conta” em nome do incidente (golpes costumam aproveitar esses momentos) e conferir se a prova de reservas prometida pela empresa de fato sai.
Na forma de guardar. Existe a opção de manter parte dos ativos em carteira própria (autocustódia), em que só você controla as chaves. Isso reduz a dependência da corretora, mas transfere toda a responsabilidade de segurança para você: perder a chave significa perder o acesso. Na nossa análise, não há escolha sem risco; a pergunta é qual risco você consegue administrar.
No tamanho da exposição. Na nossa análise, episódios como este reforçam que cripto, para quem decide ter, costuma caber como uma parcela do patrimônio dimensionada para suportar perdas e períodos sem liquidez, separada da reserva de emergência.
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Atualizações
Atualização (02/11, 16h00 BRT): a Binance informou nesta segunda-feira (2), em comunicado oficial publicado às 9h49 (horário de Brasília), que concluiu a prova de conhecimento zero (zero-knowledge proof) completa da prova de reservas tirada em 31/10/2026, às 00h00 UTC (21h00 de 30/10 em Brasília). Segundo a empresa, quem tem saldo em BTC, ETH, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD ou ZEC na plataforma já pode verificar, com a ferramenta do site de prova de reservas, que esse saldo está coberto na proporção mínima de 1 para 1.
No mesmo comunicado (Recovery Update #5), a Binance repetiu que cobriu cerca de 95% do valor afetado pelo ataque. Os 5% restantes são tokens fora dessa lista de dez, menos líquidos, que a empresa diz seguir adquirindo com parceiros do setor. A exchange também informou que pretende tirar uma nova fotografia das reservas em 04/11, com mais tokens, cuja prova completa deve levar de 40 a 50 horas para ficar pronta, e que a próxima fase de reabertura de saques para outras redes e ativos está prevista para terça-feira (3), de forma gradual, com detalhes a serem divulgados.
O que ainda não se sabe: a data da reabertura total de todas as redes e quando os 5% restantes serão cobertos.
Atualização 01/11, manhã: saques reabertos
Os saques na Binance voltaram neste domingo. A rede Bitcoin foi a primeira a ser reaberta, seguida pelas redes Ethereum (ETH, USDT, USDC) e BNB Smart Chain (BNB, USDT, USDC). Na atualização mais recente da corretora, publicada pela manhã, havia nove redes liberadas: Bitcoin, Ethereum, BNB Smart Chain, XRP, Base, Dogecoin, Optimism, Arbitrum e Tron. As demais redes e ativos devem voltar em fases, à medida que as checagens de segurança forem concluídas, e ainda não há prazo oficial para a reabertura completa. A Binance também informou que incluiu novas carteiras na lista da prova de reservas e que, daqui em diante, todos os saques vão sair desses novos endereços.
Atualização 01/11: saques voltam em fases
A Binance anunciou que retoma os saques em fases. A primeira fase está prevista para este domingo (01/11), entre 3h e 6h (horário de Brasília), e as redes e os ativos serão liberados aos poucos para controlar o volume de pedidos. Segundo o comunicado, a corretora já cobriu cerca de 95% do valor afetado (antes eram cerca de 90%), e os saldos de BTC, ETH, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC têm lastro de 100%. Os 5% restantes são tokens menos líquidos, que a empresa segue comprando no mercado e em operações de balcão (OTC). A Binance afirma que o prejuízo não será repassado aos usuários e que vai publicar um relatório completo do incidente quando a investigação terminar. Ainda não se sabe quais redes ficam para as próximas fases nem quando sai a prova de reservas completa. (Atualizado em 02/11): a prova de reservas completa saiu na segunda-feira (2); a próxima fase de reabertura de saques, para outras redes e ativos, está prevista para terça-feira (3).
Fontes
- Binance – “Security Incident | Recovery Update #3: 90% of Stolen Assets Replenished; Proof of Reserves Snapshot Provided (2026-10-31)” – 31/10/2026: https://www.binance.com/en/support/announcement/detail/1fdf1f61559c401da0435895ffcccb62
- Binance – “Security Incident Update #2 (2026-10-30)” – 30/10/2026: https://www.binance.com/en/support/announcement/detail/d3306d9dca5243548c813b605e1d1751
- Binance – “Security Incident Update (2026-10-30)” – 29/10/2026 (atualizado em 30/10/2026): https://www.binance.com/en/support/announcement/detail/c5a8729a97ac486d963784d96c5642d7
- CNBC – “Binance says 90% of $6.3 billion hack losses are now covered, plans to resume withdrawals Sunday” – 31/10/2026: https://www.cnbc.com/2026/10/31/binance-hack-asset-coverage-withdrawals.html
- Crypto Briefing – “Binance says 90% of hacked funds covered as withdrawal restart nears” – 31/10/2026: https://cryptobriefing.com/binance-hack-recovery-withdrawals/
- BBC News – “Binance hack updates: US Secret Service says it is helping to track funds stolen from crypto firm Binance in $6.3bn hack” – 30/10/2026: https://www.bbc.com/news/live/cqrmynd3042gt
- Yonhap – “FBI says N. Korea responsible for over US$6 bln crypto theft from Binance” – 31/10/2026: https://en.yna.co.kr/view/AEN20261101000300315
- NBC News – “FBI says North Korea was behind the $6.3 billion Binance crypto hack” – 31/10/2026: https://www.nbcnews.com/business/business-news/fbi-says-north-korea-was-6-billion-binance-crypto-hack-rcna606758
- FGC – “Sobre garantia FGC” – 31/10/2026 (data de acesso): https://www.fgc.org.br/sobre-garantia-fgc
- Binance – Security Incident | Recovery Update #4 (X, 01/11/2026)
- Binance – Latest Withdrawal Update (X, 01/11/2026)
- Binance – atualização da prova de reservas (X, 01/11/2026)
- Binance – Security Incident | Recovery Update #5: October 31st PoR Snapshot Now Fully Verifiable by Users (X, 02/11/2026, 09h49 BRT)
- Yi He, cofundadora da Binance – prova de conhecimento zero da prova de reservas (X, 02/11/2026, 10h24 BRT)
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo e não constitui recomendação individual de investimento. Exemplos são hipotéticos e não representam promessa de rentabilidade. Jhonny Cazoni, Consultor CVM 003880-6.






