• IBOV 167.563 alta de 1,23%
  • USD/BRL R$ 5,48
  • SELIC 13,75%
  • IFIX 3.558 alta de 0,94%
  • BTC/BRL R$ 439.518 alta de 2,15%
  • DASA3 alta de 17,27%
  • LJQQ3 alta de 15,31%
  • RCSL4 queda de 15,85%
  • BRAV3 queda de 9,19%
  • ETF DEFI11 alta de 6,05%
  • BDR DUOL34 alta de 26,04%
  • FII CPSH11 alta de 4,84%
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Mercados

EUA avaliam retomar ataques ao Irã: o que muda no petróleo, no dólar e nos juros

EUA avisaram aliados no Oriente Médio sobre possíveis novos ataques ao Irã depois da eleição americana de 03/11. Veja o que isso pode significar para petróleo, dólar, inflação e Copom.

Jhonny Cazoni17 min de leitura

Atualizado em

Navio petroleiro em porto — imagem sobre EUA avaliam retomar ataques ao Irã

Foto: Quintin Soloviev/Wikimedia Commons (CC0)

A guerra entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e o Irã, do outro, não é nova: começou em 28 de fevereiro de 2026 com ataques coordenados contra alvos nucleares, militares e de liderança iranianos. A novidade deste fim de semana é o risco de os EUA retomarem os ataques ao Irã logo depois das eleições legislativas americanas de terça-feira (03/11). O país não ataca o Irã desde o início de setembro, e o Irã promete uma resposta “sem restrição geográfica”. O petróleo já está no maior nível desde abril. Abaixo, o que se sabe, os números e o que isso pode significar para quem investe no Brasil.

O que aconteceu

Sinais de nova ofensiva

No sábado (31/10), o presidente Donald Trump disse que os EUA ainda precisam “cuidar de um ou dois alvos” no Irã, entre eles um suposto complexo nuclear subterrâneo conhecido como Pickaxe Mountain. Segundo ele, as negociações “vão bem”, mas o Irã “não é muito confiável”. Teerã nega atividade nuclear no local.

A Associated Press informou que autoridades americanas avisaram países do Oriente Médio para se prepararem para uma possível ação militar depois da eleição e para eventuais retaliações iranianas. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse no mesmo dia, durante encontro de chanceleres do G20 em Atlanta, que Trump ainda não decidiu sobre novos ataques e que os EUA estão abertos a uma saída diplomática. “As conversas nunca pararam”, afirmou.

A resposta do Irã e a negociação em Doha

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, ordenou que as Forças Armadas estejam prontas para uma resposta “imediata, impactante e sem restrição geográfica” a qualquer ameaça. Ao mesmo tempo, negociadores iranianos se reuniram com mediadores do Catar em Doha no sábado, depois de mais de 12 horas de conversas em Teerã na sexta. O chanceler Abbas Araghchi disse que a proposta iraniana de reabertura parcial do Estreito de Ormuz poderia entrar em vigor em dois dias, em vez de sete. Para isso, os EUA teriam de atender a condições como o fim do bloqueio aos portos iranianos e a liberação de ativos congelados.

Ataques a navios

Os ataques no Golfo continuam. Um petroleiro foi atingido por minas presas ao casco perto de Khasab (Omã) na noite de quinta (29/10), segundo a agência britânica UKMTO. Foi o primeiro ataque bem-sucedido desse tipo desde o início da guerra. A Nakilat, empresa de transporte de gás do Catar, informou neste domingo que seu navio de GNL Al Mayeda foi atingido por “objetos não identificados” na sexta à noite, sem feridos e sem dano ambiental. Outubro foi o mês com mais ataques a navios desde o início da guerra.

Números do mercado (fechamento de sexta, 30/10)

  • Petróleo Brent: o contrato de dezembro, que venceu na sexta, fechou a US$ 117,64 (+2,4%). O contrato de janeiro, hoje a referência mais negociada, fechou a US$ 113,43 (+2,37%). Foi o maior nível desde abril. Em outubro, o Brent subiu 13,6%.
  • WTI: US$ 104,12 (+2,1%); alta de 15,2% em outubro.
  • Dólar: R$ 5,446 (+1,09%), maior fechamento de 2026. Na semana, a alta foi de 9,15%, influenciada sobretudo pelo cenário doméstico depois da eleição.
  • Ibovespa: 167.921,80 pontos (-0,75%); queda de 18,12% na semana.
  • S&P 500: 7.580,07 pontos (-1,8%). Nasdaq: 25.437,00 pontos (-2,9%). Foi o pior dia de Wall Street desde junho, puxado por ações de tecnologia.
  • Ouro: US$ 3.875,65 por onça no mercado à vista (-3,6%), o menor nível em um ano.

A B3 só reabre na segunda-feira (02/11). Os preços acima ainda não refletem as notícias do fim de semana.

O que muda para o seu bolso e para os investimentos

Petróleo

Antes da guerra, o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz equivalia a cerca de um quinto do consumo mundial de líquidos de petróleo, segundo a EIA (dados de 2024 e do primeiro semestre de 2025). Por isso, uma nova rodada de ataques ou um acordo em Doha são os dois desfechos que o mercado de petróleo acompanha mais de perto. Neste domingo (01/11), os sete principais países da Opep+ decidiram manter para dezembro as metas de produção de setembro, segundo comunicado da Opep; a próxima reunião está marcada para 29/11. Para o Brasil, o barril mais caro afeta a balança comercial, a arrecadação e as empresas do setor de formas diferentes. Petróleo alto, por si só, não garante resultado para nenhum investimento.

O gancho brasileiro: Margem Equatorial

Com o barril acima de US$ 110, ganha peso uma notícia doméstica da semana. Na quinta-feira (29/10), a Petrobras anunciou a terceira descoberta de petróleo no mesmo poço, o Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas da costa do Amapá. As duas anteriores foram comunicadas ao mercado em agosto e em outubro. “Nossa persistência técnica permitiu que fossem realizadas três descobertas no mesmo poço, o que nos deixa ainda mais otimistas em relação ao potencial exploratório da Margem Equatorial”, disse a presidente da empresa, Magda Chambriard, em comunicado.

Descoberta não é produção. A Petrobras concluiu a perfuração e planeja outros três poços de delimitação, com início previsto pelos executivos da empresa para o primeiro trimestre de 2027, para avaliar se a área pode produzir de forma comercial. Ou seja, o petróleo caro de agora não se traduz em barris da Margem Equatorial no curto prazo; o que muda é o peso do debate sobre essa nova fronteira exploratória.

Combustíveis e inflação

A Petrobras informou ao mercado que discute a política de preços, mas ainda não decidiu nenhum reajuste. O governo manteve zerados os tributos federais sobre a gasolina e reforçou a subvenção ao diesel importado. O IPCA de setembro subiu 0,82% e acumula 4,58% em 12 meses, acima do teto da meta (4,5%). O Focus de 26/10 (Banco Central) projeta 5,19% para 2026. Um eventual reajuste de combustíveis pesaria sobre esses números e, na nossa análise, chegaria ao bolso também de forma indireta, pelo frete e pelos preços de alimentos e serviços.

Dólar

Na nossa análise, choques geopolíticos costumam levar investidores a buscar proteção, o que tende a fortalecer o dólar diante de moedas emergentes. Somado ao ajuste doméstico depois da eleição, isso ajuda a explicar a volatilidade recente do real. Para quem tem viagem, compra ou dívida em moeda estrangeira, o custo em reais muda junto com o câmbio, e vale planejar sem apostar numa cotação específica.

Juros e Copom

O Copom anuncia a Selic na quarta-feira (04/11), depois das 18h30. A taxa está em 13,75% ao ano. O mesmo Focus aponta 13,25% no fim de 2026, o que equivale a dois cortes de 0,25 ponto até dezembro. Petróleo, câmbio e inflação estão entre os fatores que o comitê leva em conta, e a decisão pode coincidir com uma eventual ação militar no Irã. Para quem tem crédito com juros pós-fixados ou investe em renda fixa atrelada à Selic ou ao CDI, a decisão de quarta é o principal número da semana.

Nos investimentos

A B3 só reabre na segunda-feira (02/11), e os preços de sexta ainda não refletem as notícias do fim de semana. Na nossa análise, em semanas assim o risco maior costuma ser decidir no calor da manchete: vender no pior momento ou concentrar a carteira numa única aposta sobre o conflito. Uma reserva de emergência bem dimensionada é o que evita ser obrigado a vender em dias de queda.

Leia também: por que a alta do Brent não garante mais dividendos e gasolina com imposto federal zerado.

O que ainda não se sabe

  • Se Trump vai mesmo autorizar novos ataques e quando.
  • Se as conversas em Doha vão produzir um acordo para reabrir Ormuz.
  • Quem atacou o navio Al Mayeda e o petroleiro perto de Khasab.
  • Se houve ataque ao incêndio em Dammam (Arábia Saudita). A versão de ação dos houthis circulou apenas na mídia iraniana e não foi confirmada.
  • Como os mercados vão abrir na segunda e qual será o tom do Copom.
  • Quais petroleiros explodiram, de que bandeira, e se houve vítimas ou vazamento.
  • Se o navio atingido pelo projétil relatado pela UKMTO é um dos dois citados pelo Irã.
  • O que diz a minuta e se ela prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, e em que prazo.
  • Se e quando haverá a reunião de acompanhamento, e se os EUA e Israel aceitam a proposta.

Atualizações

Atualização (03/11, 00h05 BRT): Os Estados Unidos atacaram alvos iranianos na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, na segunda-feira (02/11), segundo o Wall Street Journal, que cita autoridades americanas. Uma autoridade dos EUA disse à Associated Press (AP) que os alvos eram “iranianos usando mísseis terra-ar contra meios dos EUA” (NBC News/AP, 02/11, 23h06 BRT). Segundo o Axios, citado pela Iran International (02/11, 23h10 BRT), um caça americano destruiu em legítima defesa um lançador de mísseis terra-ar da Guarda Revolucionária depois que a Guarda disparou um míssil contra uma aeronave dos EUA. A TV estatal iraniana e a agência IRNA relataram explosões na ilha. O Pentágono encaminhou perguntas ao Comando Central dos EUA (CENTCOM), que não respondeu de imediato, segundo a RFE/RL (02/11, 23h15 BRT).

Segundo o WSJ, citado pela RFE/RL, o ataque faz parte de uma série de ataques limitados feitos em sigilo nas últimas semanas, que algumas autoridades descrevem como defensivos. A AP avaliou que os ataques pareceram limitados, e não uma volta às hostilidades plenas. Na segunda, perguntado se pensa em atacar o Irã depois das eleições de meio de mandato desta terça (03/11), o presidente Donald Trump respondeu “não” (RFE/RL) e disse que um acordo com Teerã pode sair (CNBC).

Reação do petróleo: depois de fechar a segunda em queda de 7,63%, a US$ 104,77 o barril, o Brent subia 0,5%, a US$ 105,25, e o WTI subia 0,5%, a US$ 96,93, às 22h04 BRT de 02/11 (CNBC, 22h47 BRT). Mais tarde, o Brent oscilava perto da estabilidade, a US$ 104,72 (-0,1%), na abertura asiática (Reuters via Euronext, 23h26 BRT). Para o investidor brasileiro, o ponto de atenção continua o deste texto: sinais de nova escalada em Ormuz podem devolver prêmio de risco ao petróleo e pesar sobre combustíveis, inflação e expectativas de juros. O mercado brasileiro volta a operar nesta terça, depois do feriado de Finados (GZH). Relato informativo, sem recomendação de investimento.

Atualização (02/11, 9h10 BRT): Os negociadores iranianos encerraram as conversas com os mediadores do Catar sobre um acordo para pôr fim à guerra, e uma minuta da proposta está circulando, com a possibilidade de uma reunião de acompanhamento, segundo disse nesta segunda-feira (02/11) uma autoridade a par das negociações, citada pela Reuters. Segundo o portal Axios, citado pelo Valor Econômico, o presidente Donald Trump disse ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que pretendia permitir o desenrolar das negociações. O petróleo caiu: por volta das 8h30 (Brasília), o Brent para fevereiro recuava 4,15%, a US$ 105,01 o barril, na ICE, e o WTI para dezembro caía 4,51%, a US$ 99,42, na Nymex, segundo o Valor. A Reuters mostrava o Brent em queda de 4,2%, a US$ 108,64. No Brasil, o mercado financeiro está fechado nesta segunda por causa do feriado de Finados e volta a operar na terça (03/11), um dia antes da decisão do Copom sobre a Selic, na quarta (04/11). No último pregão, o dólar subiu 1,05%, para R$ 5,44, e o Ibovespa caiu 0,75%, aos 167.922 pontos, segundo a GZH.

Atualização (01/11, 19h10 BRT): A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste domingo (01/11), segundo a mídia estatal iraniana citada pela Reuters, que dois petroleiros “explodiram” depois de atingir minas ao usar uma “rota não autorizada” no Estreito de Ormuz. Os relatos não identificaram os navios nem trouxeram informação sobre vítimas. Mais cedo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO relatou que o comandante de um navio mercante transmitiu um pedido de socorro informando que outra embarcação foi atingida por um “projétil desconhecido” no estreito. No mesmo dia, segundo a Iran International, o vice-presidente do Parlamento iraniano, Ali Nikzad, disse que “a janela para negociações com nossos adversários agora está fechada”, enquanto o chanceler Abbas Araghchi afirmou que as consultas com os mediadores do Catar continuam, mas ainda sem uma conclusão definitiva.

Fontes

Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento. Jhonny Cazoni, Consultor CVM 003880-6.

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  • IBOVIbovespa167.563 ptsalta de 1,23%Brapi · 04/11, 19:14
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