Boletim Focus: IPCA de 2026 sobe a 5,22% e Selic a 13,50%
O Focus de 30/10 subiu IPCA, Selic e dólar para 2026 e 2027 e cortou o PIB. Veja a tabela com a semana anterior e 4 semanas atrás e o gancho do Copom.

Edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. Foto: Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
Por causa do feriado de Finados, não houve divulgação do Boletim Focus na segunda-feira: pelo calendário do Banco Central, a edição desta semana saiu nesta terça-feira (3) e traz o relatório com data de sexta-feira, 30 de outubro. O retrato é de piora em quase todas as frentes: o mercado subiu as projeções de inflação, de juros e de dólar para 2026 e para os anos seguintes, e cortou de novo a de crescimento.
O boletim chega na semana em que o Copom se reúne. A reunião começou hoje, terça-feira (3), e a decisão sobre a Selic, hoje em 13,75% ao ano, sai amanhã, quarta-feira (4), a partir das 18h30.
Os números do Focus de 30 de outubro
A tabela compara a mediana das projeções com a da semana anterior (boletim de 23/10) e com a de quatro semanas atrás, tudo segundo o próprio relatório do Banco Central.
| Indicador (mediana) | Ano | Há 4 semanas | Há 1 semana | 30/10 |
|---|---|---|---|---|
| IPCA (%) | 2026 | 5,01 | 5,19 | 5,22 |
| IPCA (%) | 2027 | 4,30 | 4,34 | 4,76 |
| IPCA (%) | 2028 | 3,80 | 3,75 | 4,00 |
| Selic no fim do ano (% a.a.) | 2026 | 13,50 | 13,25 | 13,50 |
| Selic no fim do ano (% a.a.) | 2027 | 12,00 | 11,75 | 12,50 |
| Selic no fim do ano (% a.a.) | 2028 | 10,50 | 10,00 | 11,00 |
| PIB (%) | 2026 | 1,85 | 1,80 | 1,76 |
| PIB (%) | 2027 | 1,40 | 1,31 | 1,20 |
| PIB (%) | 2028 | 1,81 | 1,81 | 1,80 |
| Câmbio no fim do ano (R$/US$) | 2026 | 5,20 | 5,05 | 5,34 |
| Câmbio no fim do ano (R$/US$) | 2027 | 5,28 | 5,15 | 5,40 |
| Câmbio no fim do ano (R$/US$) | 2028 | 5,30 | 5,20 | 5,40 |
Resumi os números desta edição numa thread no X, com o gráfico.
Inflação: projeção para 2027 dá o maior salto
A mediana para o IPCA de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%. A mudança mais forte, porém, ficou mais à frente. A projeção para 2027 pulou de 4,34% para 4,76%, a terceira alta semanal seguida, e a de 2028 passou de 3,75% para 4,00%. Até a de 2029, que estava em 3,50% na semana anterior, subiu para 3,98%.
Para comparar: a meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto, ou seja, até 4,5%. Com o boletim de 30/10, o mercado passou a projetar inflação acima desse teto não só em 2026, mas também em 2027.
Entre quem atualizou a projeção nos últimos cinco dias úteis, os números são ainda mais altos: 5,22% para 2026 e 4,85% para 2027. A inflação de 12 meses suavizada à frente subiu de 4,53% para 4,96%.
Inflação mês a mês
Para outubro, a mediana ficou em 0,27%, pouco abaixo dos 0,28% da semana anterior. Para novembro, subiu de 0,33% para 0,35%, e para dezembro, de 0,58% para 0,60%.
Selic: mercado deixou de ver tanto espaço para cortes
A mediana para a Selic no fim de 2026 voltou de 13,25% para 13,50%, o mesmo nível de quatro semanas atrás. Para o fim de 2027, a projeção subiu de 11,75% para 12,50%, e para 2028, de 10,00% para 11,00%.
Em outras palavras, o mercado passou a esperar juros mais altos por mais tempo. Se você quer entender como cada nível de Selic se traduz no rendimento das aplicações, explicamos isso em quanto rendem os investimentos com a Selic a 13,75%.
O que o Focus diz sobre o Copom desta semana
O Focus também traz a projeção da Selic para cada reunião. Para a decisão de novembro, a desta quarta-feira, a mediana segue em 13,50% há cinco semanas, o que equivale a um corte de 0,25 ponto em relação aos 13,75% atuais. Mas há um detalhe: entre os participantes que atualizaram a projeção nos últimos cinco dias úteis, a mediana para novembro é de 13,75%, ou seja, manutenção. O mesmo vale para o fim do ano, com mediana de 13,75% nesse grupo mais recente.
Esse descompasso entre a mediana geral e a das respostas mais recentes é o principal ponto a acompanhar no comunicado de quarta. Se você quer saber o que olhar além do número, preparamos um guia sobre o que é o Copom e como ler o comunicado. Nos últimos dias, o tema dos juros também ganhou espaço no debate político, como mostramos no texto sobre a proposta de corte da Selic “na canetada”.
Dólar: projeção volta a subir
A mediana para o câmbio no fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34, interrompendo três semanas seguidas de queda. Para o fim de 2027 e de 2028, a projeção passou a R$ 5,40. Entre as respostas dos últimos cinco dias úteis, a mediana para 2026 é de R$ 5,40.
PIB: terceira semana de corte
A projeção de crescimento da economia em 2026 caiu de 1,80% para 1,76%, e a de 2027, de 1,31% para 1,20%, ambas na terceira semana seguida de baixa. Para 2028, a mediana ficou praticamente estável, em 1,80%.
O que acompanhar na semana
- Quarta (4), a partir das 18h30: decisão do Copom sobre a Selic, com o voto de cada diretor.
- Até terça (10): ata da reunião, prazo máximo previsto no regulamento do Copom.
- Segunda (9): próxima edição do Focus, que já vai refletir a decisão.
A agenda completa está no nosso calendário econômico de 2 a 6 de novembro. Para saber como ler o boletim, veja a nossa edição do Focus de 13 de outubro.
O que muda para o seu bolso e para os investimentos
O Focus não é previsão nossa nem decisão do Banco Central: é a mediana das expectativas de instituições do mercado, segundo o relatório do BC de 30/10. Ele mostra o que o mercado espera, não o que vai acontecer.
No seu bolso
- Preços: a mediana do IPCA de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, e a de 2027, de 4,34% para 4,76%, acima do teto de 4,5% da meta. Na nossa análise, isso indica que o mercado espera que o aumento do custo de vida demore mais para desacelerar, não só neste ano.
- Crédito novo: a Selic esperada para o fim de 2027 subiu de 11,75% para 12,50%. Na nossa análise, para quem planeja um financiamento mais longo, a expectativa de queda dos juros ficou mais lenta do que se via uma semana antes.
Nas suas contas
Na nossa análise, o Focus serve como pano de fundo para planejar, não como gatilho. Se o mercado espera inflação acima de 5% em 2026, vale revisar no orçamento itens que costumam ser reajustados por índices de preços, como aluguel e contratos anuais, considerando que expectativa não é certeza.
Nos investimentos
- Pós-fixados e Tesouro Selic: acompanham a Selic efetiva, não a expectativa. Nada muda neles por causa do Focus; mudam se o Copom alterar a taxa.
- Prefixados: a taxa oferecida embute, entre outras coisas, as expectativas de juros e inflação. Quando elas sobem, títulos já em carteira tendem a oscilar no preço de mercado para quem vende antes do vencimento; quem leva até o fim recebe a taxa contratada.
- IPCA+: pagam a inflação realizada mais uma taxa fixa. A expectativa mais alta de IPCA não altera esse mecanismo; o que conta é a inflação que de fato ocorrer.
O que acompanhar
- A diferença entre a mediana geral para novembro (13,50%, corte) e a das respostas dos últimos cinco dias úteis (13,75%, manutenção).
- Se a projeção de IPCA de 2027 segue subindo na edição de segunda (9).
- O dólar esperado para o fim de 2026, que passou de R$ 5,05 para R$ 5,34.
Fontes
- Banco Central do Brasil, Focus – Relatório de Mercado, 30/10/2026 (PDF): https://www.bcb.gov.br/content/focus/focus/R20261030.pdf
- Banco Central do Brasil, Focus – Relatório de Mercado, 23/10/2026 (PDF, semana anterior): https://www.bcb.gov.br/content/focus/focus/R20261023.pdf
- Banco Central do Brasil, página do Boletim Focus (consulta em 03/11/2026): https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus
- Banco Central do Brasil, SGS série 432 (meta Selic, 13,75% a.a. em 03/11/2026; consulta em 03/11/2026): https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.432/dados/ultimos/2?formato=json
- Banco Central do Brasil, Resolução BCB nº 61/2021 (Regulamento do Copom: comunicado a partir das 18h30 e ata em até 4 dias úteis): https://www.bcb.gov.br/content/controleinflacao/controleinflacao_docs/BCB-RESOLUTION-61-OF-JANUARY13-2021.pdf
- Banco Central do Brasil, Copom (calendário de reuniões; reunião de 3 e 4/11/2026): https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/copom
- Banco Central do Brasil, agenda oficial do Relatório Focus (.ics; divulgações em 03/11 e 09/11/2026, 8h30; consulta em 03/11/2026): https://www.bcb.gov.br/api/exportarics/sitebcb/agendaics?lista=Focus
- Decreto nº 12.079/2024 (meta contínua de inflação de 3%, tolerância de 1,5 ponto): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/decreto/d12079.htm
Foto de capa: edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0; recortada.
Conteúdo informativo, não constitui recomendação individual de investimento nem promessa de rentabilidade. Jhonny Cazoni, Consultor CVM 003880-6.









